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Verificação de Parceiros Comerciais na Cadeia Logística – uma questão de Compliance para o programa de Operador Econômico Autorizado e outros

por Daniel Gobbi Costa em 02/12/2016

Em tempos de crise, muitas empresas focam imediatamente suas ações na racionalização de custos e otimização de recursos, visando uma razoável obtenção de margem operacional e é claro – lucro, afinal é a partir dele que todos somos remunerados e novos investimentos são concretizados.

Partindo desta premissa, geralmente alguns equívocos ocorrem nas empresas, tais como, abrir mão ou reduzir o investimento na Governança Corporativa ou na gestão dos Controles Internos, enfim, nos controles de Compliance.

Essa palavra da moda, Compliance, que através de uma tradução literal é algo como “conformidade” – e a conformidade nada mais é do que um sinônimo de harmonia.

Bem, voltando ao tema de Governança Corporativa e à gestão dos Controles Internos, é necessário ainda, em pleno ano de 2016, que se implemente uma grande e imediata mudança de paradigmas, assim como uma mudança cultural nas empresas. Os temas de Governança Corporativa e Controles Internos em inúmeros casos ainda são vistos simplesmente como custos, onde na verdade essa padronização ou normatização poderia na verdade aprimorar as rotinas diárias, reduzir multas, penalidades e mitigar demais riscos que poderiam ser causados pela ausência de Compliance.

Uma vez aplicado este processo de Compliance, a questão que surge é: Como ficam os representantes das empresas perante os órgãos governamentais? Como meu despachante aduaneiro ou meu operador logístico me representaria? Como serão manipuladas minhas informações e documentos? E, é exatamente neste ponto que, ainda muitas empresas brasileiras estão engatinhando. Inclusive, cabe registrar que ainda muitas empresas não possuem conhecimento sobre a Lei Anticorrupção nº 12.846 de agosto de 2013 e o reflexo desta nas atividades das empresas que não atuam dentro de uma correta política de Compliance.

Assim pelo acima apresentado temos um problema. Precisamos validar/auditar nossos processos e também de nossos parceiros comerciais da cadeia logística, neste caso, os despachantes aduaneiros, armazéns, transportadores e freight forwarders. Mas por onde começar?

Como qualquer processo de validação/verificação, devemos começar pelo planejamento, pela determinação de uma metodologia e ainda ter um escopo claro do que será realizado, para que assim possamos verificar como e quais pontos específicos deverão ser verificados, quantas pessoas serão necessárias, determinar um cronograma para as atividades, e assim por diante.

Ainda para o processo de validação/verificação é extremamente importante que, durante as atividades, seja revisado todos os documentos, procedimentos, processos e também que sejam realizadas amostragens para confrontar com dados físicos e dos sistemas informatizados. Lembrando sempre que uma boa gestão é baseada na conformidade (Compliance) de processos.

Um trabalho eficiente de validação/verificação levará a empresa a alcançar resultados concretos e ganhos significativos. Tal atividade garantirá a qualidade dos processos, ajudará na identificação e gerenciamento de riscos, ajudará no aprimoramento dos procedimentos e controles internos, permitirá a detecção de gaps, irregularidades e fraudes, que são cada vez mais comuns nos ambientes corporativos, e aprimorará por consequência o desenvolvimento das pessoas.

Por fim, a verificação/validação da segurança e conformidade das operações, com uma frequência de ao menos 1 vez ao ano, deve ser considerado como um diferencial (dentro de um princípio de Boas Práticas) entre as empresas que, não buscam simplesmente cumprir uma normativa ou legislação, mas sim em implementar e manter um efetivo programa de Compliance interno e junto a seus parceiros comerciais garantindo uma eficiente e eficaz gestão para seus processos e para sua Cadeia Logística.

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